Não às podas severas

Ainda que ouçamos dizer muitas vezes que "as podas fazem bem às árvores", esta ideia não é inteiramente correta e não deve, de todo, ser justificação para as chamadas podas severas ou drásticas.

Podas e podas severas

A poda das árvores permite endereçar alguns objetivos concretos nomeadamente:

  • Objetivos estéticos, uma vez que através da poda é possível "moldar" a silhueta da árvore;
  • Incrementar a floração e a frutificação;
  • Questões sanitárias em que seja necessário reequilibrar o sistema radicular, eliminando ramos doentes que não podem ser recuperados.
  • Contudo, se uma árvore é saudável ou se está doente mas pode ser recuperada não necessita de qualquer intervenção para se desenvolver harmoniosamente.

    Sendo uma opção extrema, as podas severas de árvores são um verdadeiro atentado à natureza uma vez que implicam danos graves e irreversíveis.

    Danos causados pelas podas drásticas

    1) Deficiência nutritiva

    A poda drástica implica a redução da área foliar, colocando em causa o equilíbrio entre a copa da árvore e o sistema radicular, diminuindo a capacidade que a árvore tem para se alimentar através da fotosíntese e através da absorção de nutrientes via raízes;

    2) Menor diversidade

    Ao alterar o aspeto natural e o porte de cada espécie, tipificando-as, a poda diminui a diversidade visual e desvaloriza o seu valor enquanto património ornamental;

    3) Exposição solar

    Ao retirar os ramos exteriores, a poda drástica expõe os ramos interiores - que são mais frágeis - às condições atmosféricas, levando amiúde a que estes sofram queimaduras solares;

    4) Ramos frágeis e instáveis

    Ao contrário da convicção ainda muito enraizada, os novos ramos não rebentam com o mesmo vigor dos que foram cortados. Estes novos gomos foliares são, na verdade, mais instáveis e mais frágeis. Isto acontece porque a árvore, na ânsia de repor a massa folear eliminada, faz nascer novos ramos a partir da superfície do tronco e não a partir do eixo. Além disso, o facto destes novos ramos cresceram demasiado depressa faz com que não sejam tão resistentes;

    5) Suscetibilidade a pragas e doenças

    Ao eliminar os ramos grossos, a poda diminui a capacidade de recobrimento (processo semelhante à cicatrização) dos cortes. Assim, torna as árvores mais suscetíveis ao ataque de agentes patogénicos responsáveis por doenças e pragas graves.

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    Além destes danos ambientais, existem outras questões prejudiciais inerentes às podas severas, como:

    1) Custos de manutenção

    Ao diminuírem a capacidade de auto sustentabilidade das árvores, as podas severas aumentam os custos de manutenção. Na verdade, como a poda torna as copas mais densas e menos regulares, faz com que sejam necessárias intervenções em maior número e mais dispendiosas;

    2) Substituição de exemplares

    Infelizmente, as podas severas levam muitas vezes à morte das árvores, exigindo a sua substituição. Como é óbvio, além do danoso impacto no ambiente, esta substituição implica necessariamente custos acrescidos ligados à remoção dos exemplares mortos e à compra e plantação de novas árvores. Danifica a longo prazo o património arbóreo de um local que precisa de décadas para se constituir, empobrecendo o legado para as gerações futuras;

    3) Árvores perigosas

    Após podas severas as árvores ficam mais frágeis e menos resistentes a intempéries ou embates uma vez que os ramos que nascem à posterior têm menor resistência mecânica. Assim sendo, têm mais probabilidade de morrerem ou partirem, colocando em risco não só a árvore como pessoas e bens em seu redor.

    Por todos os motivos enumerados, esperamos que este artigo contribua para sensibilizar as entidades responsáveis pela preservação e gestão do património arbóreo nacional e a sociedade em geral para esta questão, aumentando o apoio à luta contra as podas severas.

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