A história da oliveira, a Olea europaea

A história da oliveira, a Olea europaea

A oliveira, cuja designação científica é olea europaea, é uma árvore mítica, intimamente ligada à história, à tradição e à cultura dos povos do mediterrâneo. É símbolo de paz, sabedoria, abundância e conquista.

As origens da Oliveira

Na sua forma primitiva, a oliveira surgiu na Era Terciária, sendo mais antiga que o Homem. O seu aparecimento deu-se na região da Ásia Menor, provavelmente na Síria ou na Palestina, onde foram descobertos vestígios de lagares e fragmentos de vasos da Idade do Bronze.

Sabemos também que a oliveira não se manteve exclusiva desta região já que foram descobertas folhas de oliveira fossilizadas ao longo de todo o Mediterrâneo. Estes fósseis são datados dos períodos Paleolítico e Neolítico, altura em que o Homem aprendeu a extrair o azeite das azeitonas.

A oliveira na Antiguidade Clássica

Já no ano 6.000 a.C., os Egípcios atribuíam a arte do cultivo da oliveira a Ísis, mulher de Osíris, deus maior da sua mitologia. Contudo, foram os Gregos os responsáveis por levar esta árvore da região do "Crescente Fértil" para toda a Europa mediterrânica.

Na verdade, tanto os Gregos como os Romanos eram excelentes produtores de azeite e usavam-no não só na alimentação mas também como unguento, bálsamo, combustível para iluminação, medicamento, lubrificante de equipamentos agrícolas e elemento de impermeabilização de tecidos.

Atenas e a Oliveira

Reza a lenda que a origem do nome de Atenas está ligada à oliveira. De facto, de acordo com a mitologia grega, a deusa Atenea terá oferecido uma oliveira aos deuses em troca de proteção aquando da conquista de Ártica, prometendo-lhes uma árvore que iria frutificar durante centenas de anos e de cujos frutos se iria retirar um líquido precioso que serviria como alimento, medicamento para tratar feridas ou como combustível para iluminação. A batalha foi vencida e a cidade mudou o seu nome para Atenas em honra da deusa.

As expedições marítimas

Séculos mais tarde as expedições marítimas dos portugueses e dos espanhóis levaram a oliveira até ao Continente Americano, desde os Estados Unidos à Argentina, passando pelo Chile e México.

O cultivo da oliveira espalhou-se também para os restantes continentes, passando a ser popular na China, Japão e África do Sul.

Uma árvore resistente

A oliveira é uma árvore perenifólia, frutífera e ornamental, extremamente resistente, capaz de suportar climas bastante secos e ventos fortes. Em contrapartida, é sensível às baixas temperaturas.

Longevidade é uma das suas principais características, podendo chegar aos 2.500 anos de idade, apesar do seu porte pequeno que, por norma, não ultrapassa os 10 metros de altura.

Apresenta uma copa arredondada e ampla, bem como um tronco grosso, retorcido, e de tom acinzentado.

Apesar de não ser muito alta, a oliveira tem raízes muito fortes que podem chegar aos 6 metros de profundidade.

No que toca às folhas, estas variam das elípticas a lanceoladas, são opostas e acumidadas. O tom azulado que apresentam deve-se ao facto de serem verde-acinzentadas na face superior e prateadas na face inferior.

As flores das oliveiras

É na primavera que surgem as inflorescências do tipo panícula, nas axilas foliares, que espalham um agradável e suave perfume. As flores de um branco creme são hermafroditas e, na maioria dos casos, autopolinizáveis.

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As azeitonas

As azeitonas, frutos do tipo drupa, formam-se no outono e apresentam uma polpa suculenta e mole que envolve o caroço. São verdes antes de maduras e pretas ou violeta-acastanhadas quando atingem a maturação.

As azeitonas são um alimento delicioso e rico, composto por água (50%), azeite (22%), carboidratos (19%), celulose, fibras (5,8%) e proteínas (1,6%).

Tipos de azeites

Dependendo do estágio de amadurecimento e da casta das azeitonas, produzem-se azeites com aromas e características distintas.

O processo de transformação deve ter lugar nas 24h seguintes à apanha da azeitona por forma a garantir a qualidade das propriedades do fruto e, consequentemente, do azeite.

É possível ter azeites de uma única variedade de azeitonas ou azeite de várias castas. As castas que mais se destacam no nosso país são a Carrasquenha, a Cobrançosa, a Cordovil, a Galega, a Maçanilha Algarvia, a Verdeal e a Madural ou Negral.

Independentemente da casta, Portugal produz azeites de excelência, cuja qualidade é reconhecida internacionalmente.

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